terça-feira, 29 de outubro de 2013



Não nasci para ser feliz.
Não nasci para a satisfação eterna,
Não nasci para ter a felicidade a morar no meu coração.

Nasci antes para a dor – nessa sim, estou em casa!
Nasci antes para sentir a faca que penetra cada vez mais fundo nas minhas entranhas,
Nasci antes para pedir que a empurrem mais um pouco…
…e que a torçam…

Nasci antes para a agonia – eu sei o que isso é.
Nasci antes para a alma como uma latrina, uma latrina, sim!
E para depois, ingenuamente,
Fechar os olhos, e abri-los num local
Completamente diferente.

Ai, minha vida, antes fosse…


Não quero mais escrever.
Não quero nunca mais escrever.
Não quero mais ser poeta.
Não quero mais sentir, não quero mais cuspir estas palavras - Não quero mais nada.
Não quero mais existir; prefiro o stand-by.
Não quero mais sofrer, não quero mais decidir, não quero mais estar, não quero mais viver assim, foda-se, não quero mais o presente!
Quero antes o passado…

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Concretizou-se, por fim, o teu desejo.

(já nem pra escrever sirvo...)

Estou à beira do abismo mas não quero saltar.
Ou melhor, tenho o coração à beira do abismo, e teimo em não morder as veias.
Teimo em continuar aqui, teimo em querer-te pra mim e que me queiras pra ti..
Teimo em pensar que a vida é mesmo simples.
Teimo em pensar que loucos são os outros.

Mas louca sou eu, e só um louco não vê!
Louca sou eu, de me ter aventurado nesses mares bravos que são o nosso amor.
Louca sou eu, por achar que o meu espírito cavalgante passaria a galope e te levaria na minha cela;
Louca sou eu, que tenho a sabedoria na palma da mão e não hesito em cuspir-lhe em cima.

Louca sou eu, que sou louca e me faço passar por uma pessoa normal. Mas eu não sou normal; tu sabias. Eu já sabia.


terça-feira, 29 de maio de 2012

Por seres
E saberes
Que és o Rei do meu coração
Apertas-o assim; esmigalhas-o assim,
Para depois o libertares num segundo...
Com apenas um sorriso..!

Enfim.

De que me vale, a mim,
Ficar assim?
Incha o meu orgulho, cheiinho de veneno até à boca;
Incha o teu veneno, cheio de orgulho até ao topo.
Implode o peito do coração até à boca, que os sentimentos têm que sair por algum lado.
E depois resto eu. Só eu, porque tu, só tu sabes.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Já chega.
Já chega de aventuras, de saltos de fé, chega...

Já me chega o aperto que sinto a cada vez que existo...
Já me chega a culpa, sim a culpa!
Já me chega a saudade, a dor penetrante que começa no pescoço e vai perfurando o resto do corpo...
Já me chega a angústia, a inércia, a vontade de querer e não poder...

Sim, chega. Mas até quando?
Até quando tenho de carregar este peso?
Até me libertares, Amor. Até me voltares a ter nos teus braços, até voltar a sentir o calor da tua pele...
Até lá, arrasto-me. Trepo. Os ossos são rijos, os músculos estão rijos.
Até lá, a qualquer momento o meu coração há-de saltar pela boca.
Quem o pode julgar? Se eu tivesse escolha também não ficava, não nestas condições.
Porquê fui cega ao ponto de achar que aguentaria? Que era de ferro..?
Eu não sou de ferro. Por muito que tente parecer, no final caiem todas as minhas máscaras.
No final só resta a merda, a podridão interna, a alma como uma latrina!

A alma como uma latrina... Mas um banho por dentro não chega.
É preciso muito mais para me salvar neste momento.
É preciso arcos-íris, fadas, merdas brilhantes com luzinhas e purpurinas.
É preciso mentiras, falsidades luzentes o suficiente para me voltar a cegar.

Não é suposto este 'eu' vir à tona;
Não estou habituada a mostrá-lo, a passeá-lo, a fazer as suas expressões faciais.
Não estou nem quero estar! Mas enfim...

Que fazer? Apodrecer?
Parece-me uma boa ideia...
Quero fugir.
Vou fugir!
Para onde? Para lado nenhum.
Em lado nenhum me vai acontecer o que eu espero;
Em lado nenhum vou sentir paz,
A paz tão esperada!

Talvez haja um sítio...
Um sítio não. Uma pessoa...
Uma pessoa, sim!
Um olhar, um gesto, um abraço...
Um Amor.